CCXP 2015| Pânico na Band causa repúdio e é banido de futuros eventos do Omelete.

O programa Pânico sempre está envolvido em polemicas porém, dessa vez eles decidiram estar na Comic Con Experience 2015, e atacar diretamente os cosplayers. A CCXP o reúne milhares de pessoas do Brasil, e do mundo, para acompanhar lançamentos exclusivos, trailers de novos games, filmes de super-heróis e seriados. Além de sempre contar com a presença de algum ator ou atriz estrangeiro.

Durante a reportagem, os apresentadores Lucas Maciel e pela panicat Aline Mineiro eles abordaram uma moça que estava fazendo cosplay da personagem StarFire, a Estelar de “Os Jovens Titãs“, da DC Comics. Segundo ela, eles a puxaram do nada e não pediram permissão para entrevistá-la. Em certo momento, Maciel passou o dedo na pintura corporal de Myo Tsubasa e depois a lambeu.

Myo com cosplay de Estelar, declarou que sentiu-se desrespeitada e com nojo pela forma como foi tratada pela dupla do “Pânico na Band” (Foto: Reprodução/Facebook)

Confira o texto publicado no perfil dela pessoal no Facebook:

“Venho aqui depois de um dia ultra cansativo na CCXP, INFELIZMENTE fazendo uma postagem de extremo desgosto. Mas não é com o evento! Meu desgosto é com a equipe da band que fazia a cobertura do evento filmando, sei lá eu se era ao vivo ou não.

Estava andando com um amigo que encontrei de Robin, e estávamos próximos à entrada do evento. Gente, hoje é sábado, quem foi sabe que tava empacotado de lotado, e quem não foi deve imaginar. Eu já estava passando mal mesmo de calor (motivo pelo qual tirei o cosplay super cedo, mas vou usá-lo amanhã de novo). Beleza.

Me aparece um homem e uma menina, caracterizados já de uma forma ridícula, e nos PUXAM com a maior grosseria do mundo, sem nos perguntar se queríamos dar alguma entrevista ou fazer aparição, simplesmente nos agarraram grosseiramente pra frente de uma câmera com uma luz absurda de intensa já na nossa cara.

Lembrando que: eu passei 3 horas me vestindo nesse cosplay, eu estava INTEIRAMENTE pintada de laranja, com a SCLERA que já doia o olho etc. todos que tiraram fotos comigo, e foi gente PRA CACETE, eu só pedia para não encostar na minha pele por conta da tinta. Simples: não queria suja-los, e nem que minha tinta saísse.

Acontece que meu amigo já demonstrava sinais de desconforto com isso, e ele não conseguia se largar do sujeito nojento enquanto a menina me agarrava. Falaram besteiras para ele das quais não me lembro direito, mas aí quando aí a menina começou a perguntar sobre meu cosplay, já num tom de deboche. Perguntou quem era, e eu respondi: Estelar, dos Jovens Titãs, na maior boa possível, sorrindo pra câmera.

Então eles me pedem para ir um pouco à frente e dar uma “giradinha” pra câmera, o que eu fiz sem cerimônia. E aí recebi o seguinte comentário do SUÍNO que estava agarrando meu amigo:

“Parece aqueles bronzeados artificiais de panycat quando dá errado” Aí minha paciência já estava quase no zero, se já não estava.

Tentei relevar, até que NOVAMENTE, A CRIATURA IGNÓBIL ME DÁ UMA DEDADA NA MINHA PELE PRA TIRAR MINHA TINTA, E LOGO EM SEGUIDA METE A LÍNGUA NOJENTA EM MIM. ME LAMBEU.

 

Não tem palavras que descrevam o ódio e o nojo que me bateram na hora. Que coisa escrota, repugnante. Invasão de privacidade, falta de respeito. NOJO.

Só digo uma coisa: depois dessa e da UOL, Já tá na cara que devemos EXCLUIR esse tipo de mídia de eventos e afins. Não damos duro e nos dedicamos pra quando queremos nos divertir, recebermos esse tipo de gente no espaço que foi feito para nós.

Amanhã estarei lá novamente de Estelar, e se eu ver nem que se for a sombra desses sujeitos, desço o caralho em ambos.

Fica minha indignação“.

Fonte do Depoimento da Cosplayer

 Omelete baniu o Pânico de futuros eventos da CCXP.

CCXP 2015 | Nota de repúdio ao programa Pânico na Band

Na CCXP – Comic Con Experience, todas as pessoas são bem-vindas e incentivadas, sem preconceitos, a ser quem são – ou quem desejam ser. É um ambiente harmonioso que defendemos, um lugar onde cosplayers, nerds, gamers, cinéfilos, leitores de quadrinhos e simples curiosos convivem com respeito. Numa convenção de cultura pop, o contrato social que sonhamos para nós – em que toda diferença é aceita e celebrada – torna-se realidade.

É com tristeza e um sentimento de desgosto, então, que assistimos à maneira como o programa Pânico na Band, incapaz de lidar com o diferente, traz para dentro da CCXP seus preconceitos de gênero e seu franco desrespeito, entrevistando cosplayers com grosseria – chegando a lamber uma visitante. Depois desse incidente lamentável o Pânico na Band foi banido da CCXP 2015 e de todas as atividades organizadas a partir de hoje.

Não se trata aqui de discutir limites de humor. A cobertura do Pânico na Band da CCXP 2014, inclusive, foi muito bem-humorada e eles foram credenciados para a nova edição dentro desse espírito. No entanto, assédios moral e sexual são temas seriíssimos e preocupações constantes em convenções de cultura pop no mundo inteiro – assim como fora delas. As atitudes do Pânico na Band dentro da CCXP representam um retrocesso que não podemos aceitar. Ninguém pode, não mais.

O senso de humor é um componente fundamental do cosplay. Nesta segunda-feira a web ainda se diverte com as imagens dos trajes mais inventivos que passaram pelos quatro dias da convenção, do meme de Pulp Fiction às crianças vestidas de Coringa. Mas o cosplay também é uma forma de expressão que ajuda muita gente a fantasiar, com segurança, com aquilo que deseja para si. Pessoas aderem ao cosplay para se tornarem mais fortes, usando a interpretação e a confecção de seus trajes para lutar contra quadros de depressão, para manifestar sua sexualidade, para trabalhar sua auto-estima, como um super-herói.

O Omelete, que integra a organização da CCXP, repudia com indignação a postura inaceitável do Pânico na Band porque ela desmancha esse encanto do qual depende qualquer convenção de cultura pop. Mas os cosplayers, os nerds, os gamers, os cinéfilos e os leitores de quadrinhos são maiores, mais unidos e mais fortes. E um dia o contrato social de tolerância que estabelecemos dentro dessas convenções vai se espalhar porta afora, como um coro.

Omelete Group, 7 de dezembro de 2015.

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